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POR QUE SERÁ QUE O RIO NÃO SE DESENVOLVE?

Leio que as favelas do Rio aumentaram em cinco anos. Todos sabem que o futuro da cidade está seriamente comprometido com a favelização em torno. Todos sabem também que o Estado Do Rio de Janeiro não arrecada impostos suficientes uma vez que as grandes indústrias saíram daqui. A conseqüência é gente sem emprego, sem possibilidades de ascender economicamente, violência exacerbada, falta de civilidade, e a lista é longa. E ainda temos César Maia, que criminosamente se omite nas edificações da Rocinha, e faz vista grossa para os problemas urbanos da cidade. Deputados populistas no pior sentido que essa palavra possa ter, incitam moradores de uma recém favela surgida no Rio das Pedras (acho) a não abandonarem seus casebres e a afrontarem as forças públicas do Estado, em prol, sinceramente não sei de quê. Já para ao norte, ou melhor, acima do Equador, Nova York se revitaliza. O setor imobiliário tem novo boom e a classe média está deixando Manhattan e ocupando espaço em bairros outro...

A CHARRETE DA LEITURA

Que notícia mais alvissareira: no nordeste uma BRASILEIRA, Mônica Oliveira, professora da Escola Municipal João Francisco de Melo (Pernambuco, e imaginem a miséria de salário que deve ganhar) leva livros em cima de um jegue para a criançada, que mora no sertão, ler. A iniciativa está os motivando a escrever. Surgiram já pequenos poetas de dez e onze anos e uma menina que quer ser escritora. Ah, como fazem bem esses exemplos, num Brasil tão corrompido e injusto. Bravo Mônica.

RENAN CALHEIROS, DÁ PRA ENTENDER?

Cruzes, como é que pode? Nossos políticos são mesmo desclassificados e péssimos exemplos pra todos nós. Que desmoralização medonha é essa? Aluízio Mercadante que sempre achei um homem de idéias boas, dignas, se absteve de votar. Acho que a carreira dele acabou. Tem que fechar Senado, Congresso e mandar essa gente suar a camisa. Torno a dizer, político não tem que receber NADA para representar o povo. Que tenha a sua profissão, e legisle pelo seu estado, cidade, apenas algumas horas por semana e depois do expediente. Queria ver! Me sinto otária o tempo todo. Os senadores do Rio também não ficaram por baixo. Estão todos igualados na merda.

CENA VISTA DA JANELA

Estavam os dois na grande janela olhando o movimento da rua. Ela, senhora passada dos sessenta e ele um rapaz de não mais de vinte anos. Não eram parentes, não se conheciam, apenas resolveram desfrutar, quase que na mesma hora, a paisagem vista da janela, já que não tinham muito que fazer, naquele dia entediante de outubro. O ar pesado prenunciava chuva. O calor fazia com que os passantes parassem para comprar água dos camelôs postados ali naquela esquina por onde passavam hordas de trabalhadores humildes. Carrocinhas de camarão fedorento, de milho, de cachorro quente empesteavam o ar. Homens sem camisa conversavam aos gritos e quando a bexiga incomodava, se aliviavam por ali mesmo. Ninguém ligava ninguém torcia o nariz. Os guardas municipais, em três na esquina, de costas para a bagunça, contavam os minutos para se apresentarem a corporação e irem para as suas casas em tempo de ver as novelas da Globo. Silenciosos, a senhora e o rapa...

LANÇAMENTO DE CONTO ENTRE CONTOS

Meu primeiro livro de contos foi lançado no dia 28 de agosto, um dia chuvoso, de ventos fortes (que me destruiu um guarda-chuva) e de trânsito caótico. Cheguei à Casa da Gávea atrasada e já fiquei contente quando avistei alguns amigos, a Valeska da 7 letras e minha comadre. Aos poucos foram chegando meus heróicos amigos e a Casa foi se enchendo de carinho e afeto. Meu coração explodia de alegria e a cabeça recebia pontadas. Sabia que a emoção descontrolava a pressão, mas o que fazer? Continuei recebendo abraços carinhosos, mas a Casa não encheu como eu esperava. A chuva continuava a cair e muito. O momento alto do lançamento foi os contos lidos pelos compadres, afilhada e as amigas Terezinha e Eliene, atrizes também. Eu estava numa bolha de felicidade. Os contos falados por eles adquiriram outros tons, tomaram outros vôos. Nem parecia que eu os tinha escrito. Foi o dia mais feliz de minha vida. Fiquei orgulhosa de ter amigos tão especiais. Minha afilhada Júlia deu um show- falou tão be...

ACIDENTE DE TREM

Acidentes trágicos mexem muito comigo. Penso no desespero das pessoas vendo a morte tão perto, na solidão de suas dores e na completa desesperança em que se encontram naquele momento. Não é à tôa que Deus existe. Todos se pegam com Ele. Mas ao ler que ladrões saqueavam as vítimas em momento tão cruel me pus, de novo, a pensar nessa sociedadezinha podre em que vivemos. Será que isso aconteceu na tragédia do World Trade Center, no choque de trens na Espanha? Não me lembro de ter lido a respeito, mas li a notícia carioca e fiquei triste de pertencer a um país onde pessoas da mesma nacionalidade que a minha cometem atos tão bárbaros. O Brasil avança, claro, parece que a pobreza realmente diminuiu, mas enquanto os governantes não olharem com cuidado para essa classe de gente desprivilegiada em termos de educação, saúde, moradia e ascensão social, essa barbárie irá continuar e cada vez pior. Louvo ações como o do Afro-Reggae, o Nós do Morro, Danço para não Dançar, e tantas outras que fazem u...

O BARRACO DOS SENADORES

Lendo no jornal o barraco entre os senadores fui diminuindo, diminuindo de tamanho e mais um pouco era engolida pelo ralo. Que péssimo exemplo essa gente dá. Não é à tôa que cada dia que passa estamos pior em termos de educação e civilidade. Como é que pode senadores da República se comportarem como pessoas grossas e sem educação. Pressupoem-se que pessoas de alto nivel tenham modos mais refinados e eu acreditava até que o pum fosse mais cheirosinho do que o da ala de baixo. Mas o que vejo atualmente no Congresso, no Senado, nas declarações do presidente Lula, no prefeito César Maia, no governador Sérgio Cabral são atitudes e declarações que mostram bem que a merda deles fede mais do que esgoto a céu aberto. Tenho clareza absoluta em relação aos políticos - em quem voto e em quem não voto. E a cada dia que passa sou totalmente a favor do fechamento deste congresso e de um outro em que os políticos não recebam salário para trabalhar e muito menos ajuda para roubarem do jeito que roub...

LULA E A ELITE INTELECTUAL

Demorei a comentar o fato porque fiquei perplexa com as considerações do presidente Lula em relação às bolsas dos mestrados e doutorados. Não é possível que não enxergue que uma nação precisa de cientistas, mestres e doutores para sua evolução científica, tecnológica e literária. Uma nação se faz com homens e livros , já dizia Monteiro Lobato. É necessário sim, que todas as crianças estudem, mas tenho muitas dúvidas quanto ao assistencialismo do Bolsa Família. Canso de ler que o Brasil avançou alguns passos em relação à pobreza absoluta e fico querendo acreditar MESMO. Amigos mais radicais me acham ingênua, dizem que preciso aprender a ler entrelinhas. Não tenho essa habilidade. Leio o que vejo na minha frente. Porque também sou assim- falo direto sem subterfúgios. Mas voltando às primeiras linhas: o presidente Lula até porque não tem nenhum estudo acadêmico se vangloria de ter chegado à Presidência com pouco estudo, e por isso menospreza a elite intelectual. Acho esse pensamento muito...

A AMERICANA DO ARIZONA

A festa na casa dos Smiths prometia. O apartamento, num dos lugares mais nobres do Rio de Janeiro, o Parque Guinle, havia sido preparado especialmente para essa festa. Celebrava-se o noivado de Emily, a filha do meio do casal, com Chris da Silva, um publicitário carioca com pinta de cafajeste. Todos nós sabíamos a boa bisca que ele era, mas não tivemos coragem de dizer para ela. Também acreditávamos que ele poderia, desta vez, estar de fato apaixonado. Soubemos que não estava, e que continuava o cafajeste de sempre, quando seis meses depois terminou o noivado, e foi morar em São Paulo com uma antiga namorada. Suspiramos aliviados por Emily. Eu tinha vindo para o Brasil num programa do Peace Corps e me encantei pelo jeito simpático dos brasileiros. Trabalhei com famílias humildes em Minas e quando vim passar uns dias no Rio de Janeiro, fiquei de tal modo seduzido pela cidade rodeada de morros e praia, que decidi que aqui seria a minha nova ...

AS AUTORIDADES CARIOCAS ESTÃO MELANDO

Gente, até os bombeiros viraram marginais!! Não sei se me escangalho de rir de nervoso ou choro no meio-fio. A quem recorrer, moçada? A bandidagem aqui nesse país faz escola. Sei não, minha esperança em relação a esse pedaço de terra gigante em berço esplêndido, está escoando ralo abaixo. Sérgio, meu amigo querido, já me disse que devo prestar atenção pra não ficar reclamona, e apresentar soluções. Bem, tenho uma. Voltar ao passado e trocar de lugar com os Estados Unidos que tiveram, pelo menos uma descoberta e civilização com colonos que queriam se dar bem. But this is impossible, então o jeito é remar contra a maré. Fora Renan, fora Anac, fora Infraero, fora Sérgio Cabral que agora deu pra vaiar estudantes, fora César Maia que não cuida do Rio, fora Lula que chora como um bebê chorão, fora todo mundo. Vamos recomeçar, do zero. Como? Não sei. Aceito sugestões. Menos eu para Presidente.

CRIANÇA

Foi muito rápido :o susto O segundo fragmentado Em que o mundo parou Senti a tragédia Que se abatera No meu ventre Antes túmido de esperança E agora murcho de dor A boca aberta O grito sufocado O som parado no ar Meu filho Pobre anjo torto Arremedo de gente Olhava pra mim Pedindo desculpas Qual lâmina afiada A dor lancinando meu peito Peguei-o nos braços E nos reconhecendo no infortúnio Juramos um ao outro amor eterno

INSPIRADÍSSIMO JOSÉ MAYER

Está em cartaz no Teatro Villa-Lobos, a peça UM BOÊMIO NO CÉU, estrelado por José Mayer, com direção de Amir Haddad. A peça é uma das melhores coisas que já vi na minha vida. Mayer está inspiradíssimo, beirando a genialidade. Canta, dança, representa e nos encanta com a doçura que emprestou ao seu personagem. De arrepiar. Seus diálogos com Antônio Pedro, outro ator extraordinário, é da gente prender o fôlego pra não perder uma vírgula. O texto é engraçado, lírico e altamente poético. A montagem anda tem Eichabuer no cenário, Aurélio na iluminação e Biza nos figurinos, gente que já está ai nos brindando com qualidade há várias décadas. Fico pensando no quanto a televisão castiga seus atores, com textos bobos e interpretações pífias, a maioria das vezes. É no teatro o verdadeiro habitat do ator. Mayer é um ator vigoroso, voz impecável, carisma extraordinário, enfim um criador de se tirar o chapéu. Mais teatro, compadre. E obrigada por aqueles momentos tão deslumbrantes.

MILTON HATOUM E CINZAS DO ORIENTE

Todo mundo que lê o meu blog, e não são muitos, já sabem da minha admiração por este escritor amazonense de raízes libanesas. Devorei toda a sua obra com um apetite de adolescente. Terminei agora Cinzas do Norte, um livro amargo sobre a história de Mundo, pela ótica de seu amigo Lavo. As relações familiares complicadas do personagem principal na Manaus de pós guerra, dando adeus aos últimos dias da boa-vida extrativista puxando o fio da meada à uma vida efervescente no Rio, Londres e Berlim, mas tudo isso com uma previsão catastrófica de tragédia. É um belo livro, como disse amargo, mas muito profundo onde as relações são doídas e incompreendidas. Amo Hatoum. No meio desse amargor, há sempre lirismo na sua escrita.

JOÃO GILBERTO NOLL- O CEGO E A DANÇARINA

Ah , sou encantada com os nossos escritores. Sint 0-me abençoada por estar trabalhando de novo na Biblioteca Estadual. A relação foi difícil no início, devido à pobreza do lugar, desconforto e falta de infra estrutura até para desenvolver um trabalho legal. Minha tarefa é atender ao público no amplo e imundo Salão de Leitura, cheio de infiltrações e quente como um forno crematório, e como o público que atendo é mínimo, e ainda mais em tempos de internet de fácil acesso, sempre dá para ler, e muito. E estou aproveitando. Não quero outra vida até me aposentar, o que hoje até duvido que possa acontecer no período que eu vinha contando pelos dedos. O salário miserável vai me obrigar a permanecer naquele prédio medonho que me assombra todas as vezes que entro na garagem e olho para aquele livro aberto saído da cabeça do Darcy Ribeiro. E por conta disso cheguei até João Gilberto Noll , gaúcho como os Veríssimos . O Cego e a Dançarina é um livro de contos curtos interessantérrimos , cada u...

SOBRE VÔOS E PONTES

Acompanho as notícias sobre esse trágico acidente da TAM e fico pasma com tudo que leio. Até agora não se chegou a nenhum veredicto. Mas uma coisa é mais claro que água. O Ministro José Viegas já havia alertado sobre possíveis acidentes no espaço aéreo brasileiro e o governo deixou de investir na infraestrutura aérea. E ainda reduziu a verba. E deu-se o caos. Leio hoje que a mesma coisa aconteceu no EUA. Fontes autorizadas alertaram o governo sobre rachaduras na ponte que desmoronou. Lá também faltou investimento na infraestrutura. Cruzes, tanto lá como cá estamos à deriva. Segurança do povo, tanto no ar como no solo não é prioridade governamental. O que seria então?

CRÔNICA DE UM DOMINGO CHUVOSO

O dia amanhece gelado. Geladíssimo, em se tratando de uma cidade tropical. Minha garganta, de novo, dá sinal que precisa de cuidado, mas eu tenho que sair com o Rex. O cachorro precisa das caminhadas diárias, como eu também, para digerir as calorias em excesso, principalmente em dias como esse. Vestimos capas de chuva e lá fomos em direção ao Mundo Novo, de cujo ponto mais alto se tem uma vista deslumbrante de Botafogo. Eu ia pensando nas mudanças climáticas que ocorrem no planeta e no quanto isso vem afetando o clima. Amigos viajantes se queixando do calor em Praga e em Budapeste e gente morrendo de calor na França e na Espanha. Onde isso vai parar?Daqui a pouco vai nevar no Rio de Janeiro. Mas talvez isso não seja para a minha geração. Meus netos, quem sabe? Recolho os sacos plásticos que encontro pelo caminho e constato a sujeira que deixamos nas nossas calçadas. O caminho é bonito e sem trânsito aos domingos. Subo a ladeira, observando as árvo...

CRÔNICA DE ANIVERSÁRIO

Ontem estava deprimida, mas hoje acordei legal. Dizem que é comum se sentir meio triste, antes ou até no dia do aniversário. É a tal da conjunção astral. Arhhhhh! A tristeza de ontem se deveu a morte de um parente e ao acidente da TAM. Foi tão de repente que não me deu nem tempo nem de pensar. Só fui me lamentar e chorar horas mais tarde quando tudo já estava resolvido. Apesar de relativizar sobre a morte, a verdade é que quando ela chega nunca estou preparado para recebê-la, só o morto está. Nós todos ficamos à deriva, chorando e lamentando a perda da pessoa querida. E duvido quem não pense em si mesmo, ali naquele caixão, algum dia. Por isso não estava bem na antevéspera do meu aniversário. Convalescendo de uma virose que me derrubou, tudo que eu queria era passar longe das comemorações de praxe. Mas quem resiste? O dia é par, redondo, o mês é de férias, e pra mim, iluminado. Lembrei-me dos meus amigos, gente que me acompanha há tanto tempo, lembrei também do...

ANA PAULA MAIA E A GUERRA DOS BASTARDOS

Ana Paula é carioca e tem 30 anos. E é fantástica. Dona de um senhor estilo (li de um fôlego só )A Guerra dos Bastardos é altamente cinematográfico e fiquei pensando no que Quentin Tarantino faria com ele. O livro é sanguinolento com um desencadeamento de fatos surpreendentes. Mas a prosa de Ana Paula é tão boa que apesar das náuseas que o texto provoca, eu aplaudia a todo o momento a genialidade e o talento dessa escritora já tão pronta. Não recomendo o livro para estômagos fracos, mas pra quem aprecia o gênero, Ana Paula é opção A.

Ó COMENTÁRIO DE CÉSAR MAIA SOBRE AS VAIAS AO PRESIDENTE LULA

Foi ridícula, para não dizer patética a explicação do prefeito em relação às vaias ao presidente Lula. Chegou até a falar da mão suada de Lula e do fato dele ter saído logo após as vaias. O comentáro expelia veneno, ironia, deboche. Começou dizendo que "o carioca atribui ao Lula a pretensão de tirar do Rio e dar caráter federal aos Jogos Pan-Americanos." Será? Tenho as minhas dúvidas. Eu nunca torci pelo Pan porque acho que com esse dinheiro muitas coisas poderiam ser feitas por aqui- obras de infra-estrutura e conserto nos hospitais públicos. Essa briguinha entre os três níveis de poder pode ser até marketing jornalístico, não? A imprensa também mostra um lado marrento pra poder vender. César também não gostou do presidente não ter assistido a toda a cerimônia. Tudo bem, mas porque fazer o comentário? Pra ficar por cima? Babaca. Diz ainda que avisou ao Nuzman que o Lula poderia ser vaiado e que não deram importância. E termina dizendo " em alguns anos mais, vamos lembra...

UM HOMEM CHAMADO MARIA

Acabei de ler "Um homem chamado Maria" de Joaquim Ferreira dos Santos, e me dei conta que o genial jornalista, cronista compositor e tudo o que ele foi, me influenciou bastante naquilo que escrevo hoje. Não que eu seja um Maria de saias, não, mas o jeito carioca de escrever acho que vem dele, e muito. Eu adorava ler a sua coluna de jornal, a mesma coisa com Nelson Rodrigues no A Vida como ela é, e ler o livro foi relembrar bastante o Rio de Maria que era um pouco o meu também e verificar com tristeza o quanto a cidade mudou. Maria fez falta, e realmente foi um cara que viveu intensamente, tão intensamente que o coração não agüentou. O perfil que Joaquim traça é primoroso, uma delícia.