O POVO DO LEBLON É PORRETA

O Leblon que eu conheci é que deveria ter sido preservado, um tipo village tropical, que teria tudo para encantar os cariocas e essa turma que vem de fora e fica deslumbrada com a beleza da cidade e de seus habitantes. Hoje, o bairro está totalmente desfigurado, com edifícios luxuosos e imponentes, que me aterrorizavam todas as vezes que passava pela calçada e olhava pra cima. Falo no passado, porque não moro mais no Rio de Janeiro. O Leblon da minha infância, de casas lindas, prédios baixos, acabou, casas agora só no Jardim Pernambuco, aliás, por que Pernambuco? Mas não deixa de ser interessante a posição da prefeitura, que chiou a tempo, contra o planejamento urbano estadual que mexeria na circulação do tráfego, para a instalação de linha do metrô, por infindáveis meses, e levando o caos ao bairro. Quando li no jornal fiquei estupefata, imagine, entre outras coisas, a quantidade de manobristas a levarem os carros dos moradores para estacionamentos fora dali. Kafkaniano. Se fosse em Ramos, a gritaria se faria ouvir? Tenho quase a certeza que não. Tenho também a impressão que a turma leblonense não vê com bons olhos metrô por ali. Me digam se estou enganada.

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